Patrícia Volpi dirige o MBA Alumni Brasil, grupo que já conta com participação de 750 executivos que cursam (ou cursaram) MBA nos EUA ou na Europa.
O engenheiro químico Leonardo Batista, 33 anos, planeja como nunca o ano de 2004. Esse jovem executivo, que atua como gerente de produto na subsidiária de uma multinacional norte-americana, em São Paulo, no setor de cosméticos, acaba de ser aprovado em Thunderbird para cursar o tão sonhado (e disputado) MBA. Batista tem em mente que a rotina que o espera será bastante árdua no ano que vem. ” Dois anos de total dedicação ao estudo até que eu volte para o Brasil e busque uma posição diferenciada ” , diz. ” Tenho convicção de que quero me especializar e retornar ao país para aplicar o que aprendi lá fora ” . Para alcançar a ousada meta, porém, não basta ser aprovado com louvor no curso de pós-graduação, acionar os contatos quando estiver de volta e simplesmente escolher a nova função corporativa. A tarefa desse engenheiro paulista transcende o período em que estiver no exterior. ” Á? imprescindível manter ativa a rede de relacionamentos em todas as fases do processo académico ” , diz a psicóloga Karin Parodi, sócia da Career Center, voltada ao aconselhamento de carreira. ” O executivo que decide especializar-se no exterior deve não só anunciar a ida como também manter seus contatos a par de cada uma das etapas dessa peculiar experiéncia ” .
Segundo a executiva, em tempos de e-mail, ficou infinitamente mais fácil realizar o dever de casa. Informar sobre a nova fase profissional, contar dos novos desafios, discutir casos (mesmo virtualmente), ligar no aniversário, mandar cartão de Natal, receber pessoas, encontrar com amigos, fazer parte de associações e grupos ligados ao seu interesse profissional, visitar empresas antes de seguir viagem e contar em que vocé vai se especializar. Eis os conselhos que Karin dá aos executivos que a procuram antes da partida. ” São dicas simples e, mesmo assim, percebo que poucos são os que dão a devida importância ao networking quando estão longe de casa ” , diz a executiva que também passou pela experiéncia. ” E quem não cuida da rede de contatos quando está fora, cai no esquecimento, não tem jeito ” . Por essa razão Karin Parodi é enfática ao ressaltar a importância de estabelecer rígida disciplina para não deixar de lado essa ferramenta mágica, uma vez que o dia-a-dia de leituras e trabalhos académicos toma conta por completo da rotina do profissional. ” Á? fundamental agir dessa forma para não ter surpresas na volta ” .
Alinhado ao pensamento de Karin está Robert Wong, sócio-sénior da Korny/Ferry International no Brasil. Wong integra a lista dos executivos que acreditam nas diferentes formas do aprendizado. ” Além do know how o estudante precisa preocupar-se com o know who ” , diz. ” Aqueles quem mantém ativo o networking degustam das melhores experiéncias pós-MBA, independentemente se decidem permanecer no exterior ou retornar para o Brasil ” . Não por acaso Robert Wong sempre cita uma frase que, num primeiro momento, causa impacto negativo em suas palestras. ” Os jovens abusam dos velhos ” , diz ele. Wong faz uso da citação para mostrar aos novos talentos que se eles não estudam, não investem em suas carreiras vão tornar-se velhos abusados e grandes perdedores. ” Desde sempre e, principalmente quando se está distante do mercado nacional, é preciso zelar pelos objetivos profissionais e estreitar contatos ” .
Tamanha importância de manter acesa a chama do networking para quem está fora do país fez com que a executiva Patrícia Volpi Penteado, responsável pela área de pesquisa para América Latina da consultoria Frost&Sullivan, criasse o MBA Alumni Brasil, grupo que já conta com participação de 550 executivos que cursam (ou cursaram) MBA nos Estados Unidos ou na Europa. ” A proposta consiste não só em criar oportunidades de carreira para quem passou um período fora do Brasil como a de gerar negócios entre os participantes ” , diz. E a constatação das necessidades do grupo se deu graças a uma ampla pesquisa por ela realizada.
Dos 200 questionários respondidos, Patrícia obteve dados interessantes. Para se ter idéia, 95% dos participantes consideram o fato de terem feito especialização no exterior diferencial na hora do recrutamento. Ainda sim, 63% dos membros solicitaram atividades permanentes de networking (happy hours, palestras, workshops) para consolidar a experiéncia no exterior, uma vez que o retorno, por vezes, gera supresas. ” Quem corta vínculos quando está fora tém dificuldade de se recolocar ” , diz. ” Mesmo que a escola por onde passou seja a mais renomada possível ” . Não Á  toa, para integrar o MBA Alumni Brasil o profissional precisa ter estudado numa escola reconhecida pela Association to Advanced Collegiate Schools of Business ou pela European Foundation for Management Development, respectivamente associações norte-americanas e européias.
E Patrícia Volpi não está sozinha na tribo dos que sabem a importância dos laços profissionais após o período no exterior. Pedro Carvalho, diretor financeiro da British Telecom para América Latina, igualmente se viu em situação peculiar no início deste ano. Ao perceber que buscava recolocação, notou que outros colegas de Thunderbird passavam pelo mesmo ” problema ” . Decidiram então criar um grupo de auto-ajuda corporativa, com metas rígidas e planos ousados, para recuperar o tempo em que esfriaram contatos, fruto de longa experiéncia profissional fora do país. Formado por sete executivos com MBAs em escolas internacionais, o grupo, batizado de Job Support, recolocou, em menos de trés meses, seis dos seus integrantes. ” Nos encontrávamos semanalmente, fazíamos um pull de contatos, discutíamos técnicas de marketing pessoal para recuperar o tempo perdido e acelerar o networking ” , diz. Para Carvalho, o que começou de forma despretensiosa virou business case, apresentado nos Estados Unidos e o sucesso foi tanto que outros ex-alunos montaram algo similar no México, em Los Angeles e em Orange County. ” Não dá para deixar de lado os contatos. O mundo corporativo é feito deles ” .
Stafano Rosso, consultor financeiro da Angra Partners, pode ser considerado outro académico que aderiu o suporte de grupos virtuais para acelerar o processo de recolocação. Rosso fez MBA na Bocconi, na Itália. Retornou para o Brasil em 1995, já com emprego certeiro. Por motivos pessoais, decidiu morar nos Estados Unidos no início deste ano sem qualquer oportunidade de carreira. A empreitada não deu certo e o executivo voltou para o país sem emprego. ” Criei uma lista virtual paralela ao MBA Alumni Brasil com foco específico para quem buscava empregos ” , diz. ” Divulguei para 20 pessoas com o mesmo perfil e o que temos hoje são centenas de oportunidades em circulação e diversas recolocações já feitas. Definitivamente manter o networking é a chave para a próxima recolocação esteja vocé empregado no Brasil ou estudando no exterior. Há que se manter contatos ” .
Fonte: Valor EconÁ´mico
[Valor EconÁ´mico ]

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