Jornal Valor EconÁ´mico – por Andrea Giardino de São Paulo
A história recente de algumas das principais empresas brasileiras tem se tornado objeto de estudo de alunos das principais escolas de negócios do mundo. Para conhecer mais sobre o estilo de gestão das companhias nacionais, elas até patrocinam a viagem dos estudantes de MBA e pós-graduação ao país. O movimento, que teve início em 2000, cresceu de forma significativa nos últimos seis anos e hoje atrai o interesse de centros de ensino de peso como a Harvard Business School, o Massachusetts Institute of Technology (MIT), o IMD Business School, a Pittsburgh University, Darden e Wharton, primeira colocada no último ranking do “Financial Times” com os melhores cursos de MBA.
Em Harvard, o primeiro registro aconteceu em 1999, com a análise da Mandic BBS, empresa fundada pelo precursor da internet no país, Aleksandar Mandic. Pouco tempo depois, faziam parte do banco de casos da escola, a Editora Abril, Embraer, Gerdau e Submarino. Mas essa disseminação só ganhou força a partir de 2001, quando a tradicional escola de administração, reconhecida por seu método de estudos de casos, decidiu criar centros de pesquisas regionais. “A iniciativa visa explorar casos globais para que os alunos possam aprender lições das histórias de cada país”, afirma Ricardo Reisen, responsável pela unidade brasileira da Harvard Latin America Research Center.
Atualmente existem cinco centros de Harvard: na Ásia-Pacífico (em Hong Kong), Japão, Europa (em Paris), Califórnia (no Silicon Valey) e América Latina (escritórios na Argentina e no Brasil). Segundo Reisen, a idéia nasceu para atender uma necessidade dos alunos estrangeiros, que correspondem a 30% dos 900 alunos que entram todos os anos nos MBAs da escola. “Muitos reclamavam da dificuldade de aplicar os casos de empresas americanas na realidade do dia-a-dia de seu país “, diz. Mas com a criação dos centros regionais, esse cenário começa a mudar.


Os primeiros reflexos já podem ser percebidos. A produção de casos fora do campus nos Estados Unidos se intensificou, principalmente no Brasil. Aproximadamente 70 artigos ou casos foram publicados de 2001 para cá, com destaque para Petrobras, Grupo Ultra e Magazine Luiza. “E ao contrário do que acontecia até então, quando o estudo de casos dependia da vinda de professores para cá, o centro de pesquisa do Brasil ajuda a escola a descobrir histórias de sucesso para que sejam posteriormente escritos”, diz.
Em Darden, escola de negócios da Universidade de Virgínia, que segue a mesma metodologia de estudo de Harvard, a demanda por mais casos internacionais surgiu dos próprios alunos. “Eles reclamavam que não tinham exemplos suficientes de outros países”, explica o professor L. J. Bourgeois III, reitor associado para assuntos internacionais da escola. Em Darden, 27% dos 300 estudantes do MBA são estrangeiros. Em recente visita ao Brasil para encontrar ex-alunos e conseguir novos adeptos, ele aproveitou a oportunidade para entrar em contato também com empresas brasileiras. Bourgeois conta que desde o ano passado, sua escola incluiu no currículo um estudo sobre a criação da Inbev.
Na sala de aula, os alunos de Darden começam o estudo desse caso por cinco questões básicas, conta o professor. As razões porque a Interbrew e Ambev decidiram pela fusão de seus negócios, qual foi a estratégia estabelecida para nortear a nova companhia, quais fatores ajudaram nessa junção, quais ainda estão no caminho e como as empresas integradas estão buscando sinergia nos negócios. Todos esses aspectos são desmembrados em gráficos e tabelas, que tentam esmiuçar a união das duas culturas, a brasileira e a belga.
A peculiaridade do cenário brasileiro e do estilo de administrar dos nossos executivos tem cada vez mais atraído a atenção das melhores escola de vários países. Na prestigiosa escola de negócios suíça IMD, o estudo de casos brasileiros é recente. Há pouco mais de um ano e meio, ela incluiu em seu programa companhias como Vale do Rio Doce, Embraer, Klabin e Aracruz. Em 2005, elegeu a Votorantim como a melhor empresa de gestão familiar do mundo, exemplo que é amplamente discutido e avaliado pelos professores. Além das habilidades que as organizações nacionais possuem para sobreviver e prosperar em meio a períodos de turbuléncia econÁ´mica, outro fator que tem chamado a atenção da universidade é o estilo de comando dos brasileiros. “O espírito empreendedor dos executivos é um traço forte e que nos mostra que temos muito o que aprender com eles”, ressalta Peter Lorange, presidente do IMD.
Essa admiração pela forma como as empresas são conduzidas foi um dos motivos que levou Wharton a estudar os casos brasileiros nas salas de aula. O interesse surgiu há seis anos, após o plano Real. De acordo com Mauro Guillen, professor da gestão estratégica da escola, os aspectos macroeconÁ´micos do país no passado, permeados pela altas taxas de inflação e oscilações no câmbio, eram pontos interessantes a serem analisados. Semana retrasada, Guillen esteve no país conversando com os principais executivos dos bancos Itaú, Bradesco, Safra, Santander, Citigroup e Opportunity para pesquisa que vem conduzindo sobre o sistema financeiro brasileiro.
Em paralelo, a escola possui um programa que permite estudantes do mundo todo visitar empresas no Brasil para entender melhor os reais desafios encontrados pelos executivos diante de um ambiente de incertezas. “O brasileiro é conhecido por sua habilidade de administrar situações complexas”, destaca Guillen. Entre as companhias visitadas na última edição do programa estão a Embraer, Vale do Rio Doce, Petrobras, Gol, Mangels, DentalCorp e Safra.
Na Universidade de Pittsburgh, após uma reestruturação no formato dos MBAs, a instituição passou a ter casos de vários países. Há inclusive, um departamento no campus dos Estados Unidos que desenvolve pesquisas e casos sobre a América Latina. E o Brasil tem forte presença, já que os professores vém para cá dar aula nos cursos, que acontecem inteiramente no país, permitindo que eles levem material para ser estudado lá fora. “Além de se destacar pela gestão dos grandes grupos, o país reúne um número alto de multinacionais. O que só comprova a importância de seu mercado para as organizações”, afirma Cristina Mautone, diretora da Pittsburgh para América Latina.
Entre os casos utilizados na escola lá fora, ela lembra o da Ambev (com foco no processo de fusão entre Brahma e Antartica), um de comportamento organizacional, com a comparação entre “coaching” e “mentoring” nos EUA e no Brasil, os direitos dos consumidores no Brasil e na Ándia e a tomada de decisões em ambientes complexos.
Além disso, o professor Kuldeep Shastri está escrevendo um estudo sobre as particularidades do mercado de capitais brasileiro. Seu objetivo é entender o papel de divulgação de informações das companhias listadas na Bovespa e qual o impacto do pagamento de equity pode ter sobre estruturas de capital e custo de capital.
O interesse pelas empresas brasileiras é tão grande, que o MIT resolveu inovar. Fechou parceria com a Endeavor e traz grupos de alunos do seu MBA para um estágio de trés semanas em empresas de pequeno e médio porte, como Spoleto, Nano Endoluminal, Poit Energia e S &V Consultoria. Curiosamente, eles não vém apenas para conhecer as dificuldades de empreendedores que de um sonho conseguiram chegar lá. Eles vém também ajudar a colocar em prática estratégias e planos de expansão de suas operações.
(Colaborou Stela Campos)

3 thoughts on “Escolas de negócios estudam casos do Brasil

  1. Anna Andrade

    Gostaria de saber TELEFONE e ENDEREÇO do escritório brasileiro da Harvard Business School que fica na Avenida Paulista.
    Aguardo retorno
    Atenciosamente
    Anna Andrade

  2. alexsander de paula melo

    gual e o telefone do escritorio da univesrsidade Harvard no Brasil! obrigado

  3. DANIELA ROSAS

    Gostaria de obter mais informações sobre as bolsas de estudos em Harvard Business School e se for possível o telefone e endereço do escritório localizado em São Paulo.
    att,
    Daniela

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