O jornal “Gazeta Mercantil” tem publicado algumas notícias do jornal espanhol de negócios “Expansión“. Pelo fato de o IE sair quase diariamente citado no Expasión, estamos sendo citados com certa frequência no Gazeta Mercantil. Assim, republico aqui uma notícia sobre relacionamentos amorosos no trabalho.
Madri, 10 de Maio de 2007 – O desempenho de casais que trabalham junto gera polêmica. Algumas empresas não aceitam o fato. Mais da metade dos homens e 46% das mulheres afirmam que já tiveram um relacionamento sentimental no ambiente de trabalho, de acordo com dados de 2005 do site para a busca do par ideal, Match.com. E as cifras dos que se apaixonam no local de trabalho aumentam, segundo o psicólogo Ramón Rico, professor de Comportamento Organizacional na Faculdade de Psicologia da Universidade Autônoma de Madri.
As jornadas de trabalho que se prolongam até a madrugada, as situações de grande tensão compartilhadas entre colegas, as intermináveis reuniões e as viagens de negócios fazem com que simples companheiros de escritório possam se tornar algo mais. “A proximidade física na hora de desempenhar diferentes tarefas ou a própria configuração do ambiente são alguns dos fatores que propiciam o nascimento de romances no local de trabalho”, afirma Rico.
Diante dos riscos que o amor pode trazer às empresas, existem três teorias sobre como gerenciar o fato. Enquanto algumas empresas preferem evitar esse tipo de situação estabelecendo certas normas, outras vigiam de perto seus funcionários enamorados, embora sem fixar regras concretas. Um terceiro grupo de empresas aposta abertamente na total liberdade de ação por parte de seus funcionários.
As grandes multinacionais, principalmente, as de origem norte-americana, são as que no momento mais se mostram intervencionistas. Consideram que é melhor prevenir do que remediar, e logo acendem a luz de alarme, a fim de que um romance não interfira nos negócios. O laboratório farmacêutico Abbott, a consultoria Deloitte e a gigante de informática IBM são algumas das empresas que contam com um regulamento interno para impedir que um casal de namorados ou de marido e mulher tenha também uma relação direta de trabalho. “Trata-se de uma norma mundialmente conhecida. O que fazemos é dialogar com os interessados para, caso estejam na mesma área, um dos dois seja transferido para outro posto na empresa. Assim, evitamos qualquer tipo de conflito e suspeitas no ambiente de trabalho”, destaca Yolanda García, diretora de Recursos Humanos da Abbott. A Deloitte estabelece em seu código de ética, que seus empregados devem comunicar a um superior quando souberem de relações pessoais entre outros funcionários. “Nosso negócio se baseia na independência e na objetividade, portanto, é muito importante para nós evitar qualquer possível interferência. Procuramos buscar alternativas dentro da empresa para um ou outro envolvido no romance, mas nem sempre isso é possível”, diz Juan Luis Díez Calleja, sócio responsável pelo departamento de Recursos Humanos.
O favoritismo é uma das loucuras do amor mais temidas pelos departamentos de RH. Se já é difícil ser objetivo diante das virtudes de um parceiro amoroso qualquer, como manter a imparcialidade quando a pessoa cujo salário precisamos revisar é nossa (nosso) namorada (o)? “É claro que existe uma tendência de se favorecer quem apreciamos. É uma coisa natural. Isso acontece não apenas com casais apaixonados, mas com os amigos também”, explica Diego Vicente, professor de Comportamento Organizacional no IE Business School.


Outro perigo quando o Cupido lança sua flecha no local de trabalho é o efeito sobre a produtividade. “É lógico que as empresas regulem esse assunto. Caso os apaixonados trabalhem juntos, ficarão menos concentrados, menos responsáveis, e o rendimento baixará”, assinala Rafael Romero, psicólogo clínico. Mas nem todos consideram essas “flechas” como um perigo, pelo menos não oficialmente. “Muitas empresas não regulam essas relações, porque consideram isso uma intromissão direta nos direitos de seus funcionários. Entretanto, se existe um relacionamento direto, principalmente, entre as camadas empresariais com poder de decisão, buscamos uma solução consensual com os empregados dentro da companhia”, explica Simón Dolan, professor da escola de negócios Esade.
Esse é o caso da Ernst & Young. De acordo com Alonso Cienfuegos, gerente de RH da companhia, não existe uma política estabelecida sobre o assunto, “mas nos casos em que os casais trabalham na mesma equipe ou um dos dois é supervisor do outro, procuramos alternativas, transferindo um deles para outra área da empresa . Na medida em que as responsabilidades aumentam, os mais interessados nas mudanças são os próprios empregados, inclusive pelo próprio relacionamento que mantêm”.
A MRW , empresa especializada em transporte de documentos e pequenas embalagens, e a Cisco Systems também tomam cuidado para que nenhum romance interfira nos negócios, evitando a relação chefe-subordinado entre os dois envolvidos. Mas isso não é mencionado no contrato de trabalho. “Fomos uns dos primeiros , mas não os únicos, a nos apaixonarmos na empresa”, disseram Guillermos Ruiz e Montse Alomá, da MRW.”O problema de monitorar esse tipo de relacionamento é a antipatia que isso gera por atentar contra a liberdade individual”, explica Antonio Peñalver, sócio-diretor da empresa de consultoria Psicosoft. Além do dilema ético e de imagem, existe uma explicação legal. “É necessário que os códigos de conduta empresarial, que regulam esse aspecto, sejam muito bem justificados, caso contrário, podem ser considerados como um entrave ao direito básico à privacidade do trabalhador”, adverte a firma de advocacia Sagardoy.
Um outro grupo de empresas se mantém à margem dos relacionamentos entre seus empregados. Inditex, Telefónica, Telecinco, Endesa e Altadis são algumas que defendem o respeito à liberdade absoluta quanto à vida sentimental de seus empregados. “Não existe nenhum tipo de restrição porque a Endesa, em princípio, não considera que uma relação sentimental entre funcionários repercuta na produtividade. As pessoas que aqui trabalham têm uma qualificação profissional reconhecida, independente de suas relações pessoais. Existem também os vínculos de amizade, e ninguém acha que isso afeta a produtividade”, argumenta o departamento de RH da empresa.
Além disso, alguns acreditam que os relacionamentos sentimentais podem acrescentar valores interessantes à organização. “Não consideramos que a existência de casais apaixonados seja uma circunstância que impeça o bom andamento dos negócios. Acreditamos que isso pode até ajudar o empregado na empresa”, assinala a Telefónica.
Antonio Gusmán, gerente da companhia do setor de informática Acer, que vive essa situação na própria pele, também defende essa idéia. Trabalhou com a esposa durante sete anos em duas empresas diferentes, e inclusive foi seu chefe durante um ano na primeiro delas, a Tech Data. “Trabalhar com seu par é melhor para seu rendimento. Além disso, pode ser positivo para agilizar os processos empresarias. Quando trabalhei com minha esposa pude criticar seu desempenho sem fazer rodeios, graças ao nosso relacionamento de confiança. Com as outras pessoas é sempre preciso tomar cuidado com o que se diz”, assegura.
(Gazeta Mercantil/Caderno C – Pág. 9)(Expansión)

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