Talvez o gancho que eu esteja utilizando para iniciar este post seja um pouco velho (denuncia minha idade) ou talvez seja algo muito carioca (denuncia minha origem). Bem, houve uma campanha dos biscoitos “Tostines” lá na década de 80 ou 90 que indagava se os biscoitos eram fresquinhos porque vendiam mais ou vendiam mais porque eram fesquinhos. Eu sempre achei a pergunta muito bem construída, inteligente e pertinente (bela campanha).
O gancho se encaixa com uma pergunta que tenho me feito ultimamente: Neste exato momento, o Brasil está sendo mais afetado pela crise internacional porque as pessoas, a nível mundial, estão parando de “fechar negócios” ou as pessoas, no Brasil, estão parando de “fechar negócios” porque se convenceram de que há uma crise? Seja por um motivo (real, direto), seja por outro (adquirido, indireto), o fato é que já se pode notar como alguns setores finalmente se rendem às notícias antecipadas (ou pregadas) pelos jornais brasileiros: crise! crise! crise! Depois de uns 3 meses de lavagem cerebral, acho que o inconsciente coletivo – e os empresários – finalmente absorveram a mensagem vendida pela imprensa “copy-paste” brasileira.
Enfim, escrevo principalmente aos brasileiros que não vivem no Brasil, incluindo a maior parte dos ex-alunos brasileiros do IE. Aproximadamente 60% dos ex-alunos brasileiros do IE vivem hoje fora do Brasil. Desta forma, este blog também deve servir para aproximá-los dos ex-alunos que estão por aqui, como eu. Se nota já por aqui um ambiente bem menos “caliente” economicamente que há alguns meses e as empresas pausam ou engavetam diversos projetos.
Na minha opinião, como já disse antes, penso que isso é bom para o Brasil. É uma oportunidade de tempo precioso para reflexão por parte de diversos setores da sociedade. Dará uma oportunidade para o empresariado planejar mais, economizar mais, formar e educar melhor sua mão-de-obra e ser mais responsável com o meio-ambiente. Também dará uma oportunidade para o Governo Federal finalmente apresentar reformas que façam do Brasil um local melhor para se fazer negócios limpos no futuro (porque fazer negócios ilícitos é bem fácil por aqui, o difícil é ganhar dinheiro fazendo a coisa certa). A pressão da soja sobre a Amazônia também deve diminuir e permitir que os agentes de proteção da floresta, incluindo arcabouço jurídico e polícias, se estruturem. E o mais importante, talvez, ver como o Governo e a oposição se comportam num período desfavorável que esperemos exija debates inteligentes para a sucessão do Lula em 2010.

One thought on “Porque Tostines e a “nossa” crise são mais fresquinhos?

  1. Bruno

    Olá Newton, tudo bem?
    Acabei de conhecer o seu blog, estou admirado com a qualidade de suas matérias! Parabéns pelo excelente trabalho, existe algum feed que eu possa estar assinando?
    Abraços e muito sucesso!

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