Quem ou o que faz você sentir-se verdadeiro, legítimo, sem medo de ser o que é? Desarmado, seria talvez a palavra mais apropriada. Uma viagem, um amigo, um cão, uma obra de arte? Aproveito minha colaboração neste blog do IE Business School para falar de Madri, capital sede desta escola.
Foi em Madri. De repente, estava ali. Não sei que dia, ano ou direito quem sou. Somente me dou conta de que estou há mais de dez minutos olhando para nada menos que Guernica. Essa tela gigantesca que Pablo Ruiz Picasso concebeu com seu estilo cubista nos tenebrosos anos da guerra civil espanhola.
Estou absorta. Mudo de ângulo, de perspectiva, mas é uma sensação ímpar estar diante dessa obra de arte que sintetiza tantas camadas de história: embasbacada. Fecho os olhos e abro. Ela está lá. Esse lá e o Museo Reina Sofía, um endereço imperdível para quem vai a Madri.
Pablo Picasso a criou em 1937, mas embargou Guernica dos olhos de sua terra natal. Ninguém a conheceria lá enquanto a Espanha não se tornasse um país democrático. Picasso teria ficado revoltado com o bombardeio da pequena Guernica pelas tropas ligadas a Hitler. Vinte e cinco anos depois, em 1981, a cobertura dos jornais sobre ida da obra de arte que estava no Moma, em Nova York, lá foi narrada como um dia histórico.
Finda a guerra. Guernica, não só a cidade espanhola retratada, mas a tela, agora poderiam viver na Espanha. Há quem conteste o mito do Bombardeio de Guernica, do qual Picasso teria tomado conhecimento por meio da leitura de jornais, pois vivia em Paris.
Mas aqui chamo a atenção do quanto você pode enveredar-se em uma obra de arte tão impactante assim? Dê os adjetivos que quiser a Guernica, o olhar é seu. Para o meu, ela é gigantesca, febril, revela corpos na guerra, estilhaços de edifícios destruídos pela força aérea alemã. Mostra a precisão de Picasso, ou seria exasperação e desespero em uma explosão? Guernica não me deixará esquecer Madri. Não me deixa esquecer de algo visceral que há na civilização espanhola: inquieta, ávida e de comunicação direta.
Fico me perguntando se esse quê febril, de disputas e de vocações históricas, interfere no estilo de fazer negócios do espanhol. Acho que meus amigos do IE Businesses, a terceira maior escola de MBA da Europa, podem contribuir melhor do que eu. Adorarei ouvi-los aqui. Também entendo que Picasso deixou um exemplo de comunicação atemporal por meio da arte.
Guernica não me deixará esquecer jamais daquela dupla viagem. Viagem à Espanha e à simples constatação do quanto a vida pode ser plena quando somos e fazemos o que é intrinsecamente verdade dentro de nós. Assim fez Pablo Ruiz Picasso. Concebeu Guernica, embargou Guernica. Pintou e chorou por Guernica. Bombardeada ou não, essa sintetizou os conflitos da época.
Começo hoje a escrever uma série de posts sobre Madri. E comecei a partir de Picasso. Conto, é claro, com a ajuda, de alunos e ex- alunos brasileiros do IE Business School que a conhecem. Tem algo a falar de Madri ou mesmo comentar sobre esse tema no período em que esteve estudando no IE ou ainda está? Conte para nós! Até o próximo post! Um abraço. Boa Páscoa!

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