Post escrito por María Eugenia Marín en O Globo

23 de septiembre de 2014

Os currículos das escolas de negócio têm evoluído ao longo dos anos partindo do ensino centrado primeiramente em hard skills – habilidades mais associadas a atributos e competências técnicas, tais como finanças e contabilidade – para abrir espaço ao ensino e aprendizagem de soft skills – habilidades mais associadas a atributos pessoais, tais como a comunicação e a liderança, a inteligência emocional e social, e mais recentemente a meditação e a prática da concentração da atenção ou consciência plena (do inglês, mindfulness), um conceito que tem raízes no budismo e outras filosofias orientais também utilizado como recurso para aumentar níveis da autoconsciência e a consciência individual num entorno –.

Pôr atenção, concretamente, é um foco intencional, não crítico, determinante de nossa própria consciência no momento presente, um termo que não se costuma ver com frequência no âmbito dos negócios ou na formação em negócios. Mas isso está mudando rapidamente. Um bom número de escolas de negócio de sucesso nos Estados Unidos, assim como em alguns países da Europa, incluiu a concentração da atenção em seu currículo e está ensinando aos estudantes como relaxarem a mente e fixar um foco com mais clareza. Afirma-se que habilidades como estas são fundamentais para a tomada de decisões acertadas num ambiente de negócios em rápido crescimento e, ao mesmo tempo, num muito ritmo estressante. Algumas pesquisas relacionam o treino da concentração da atenção a uma precisão no foco, à alta capacidade de tomada de decisão e competências em compreensão, aumento da empatia e a um comportamento mais ético, pois aguça nossa sensibilidade num contexto concreto e sob determinada perspectiva. Além disso, a prática da concentração diminui o estresse e confere criatividade na resolução de problemas.

Muitas das mais importantes corporações como Google, General Mills e Target também têm abordado a prática da concentração da atenção ou consciência plena, e, de fato, esta chegou a se tornar a base de sua cultura corporativa. Salas de meditação, aulas de ioga e oficinas de treinamento da concentração acabaram fazendo parte do ADN destas companhias. Então não é estranho que os programas de formação executiva em concentração da atenção e liderança em concentração tenham crescido tanto e tão rapidamente nos últimos anos.
Esta tendência crescente no âmbito das escolas de negócio tem sido bem recebida pelos recrutadores, que estão atribuindo mais importância às qualidades relativas a soft skills como a capacidade de liderança, criatividade e comunicação interpessoal que aos aspectos funcional e operacional dos cargos de gerência. De fato, muitos acharam que os candidatos a postos de trabalho com proficiência avançada em soft skills gerenciavam melhor, independentemente da experiência e formação mais técnica acumuladas. Algumas das mais reconhecidas empresas de consultoria chegaram a afirmar que só contratam a partir de uma avaliação das soft skills e com base no treino da concentração da atenção no local de trabalho.
No mundo empresarial acelerado, imprevisível e cambiante de hoje, uma dose de sabedoria oriental é muito bem vista. E não é bastante para as instituições de formação em gerenciamento treinar os líderes empresarias atuais e futuros “conhecendo” e “levando a cabo” tais práticas, já que também devem ir mais além e ensinar-lhes a “se manterem concentrados”.

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