Post escrito por Igor Galo en O Globo

01 de Diciembre de 2014

Inovação é, atualmente, uma palavra essencial em qualquer empresa. O mundo muda com tanta velocidade que a única certeza que temos é que nada é permanente. Em setores tão importantes como o das telecomunicações, gigantes do tamanho da AT&T ou Telefónica tiveram que se adaptar para poder competir com pequenos (no começo) inovadores como Skype. Outros setores-chave em nossa sociedade, que geram milhões de empregos e dólares, como o negócio dos táxis, ônibus ou hotéis viram tremer suas sólidas bases por causa de apps como Uber, Blablacar ou Airbnb.

Inovar não só é uma opção, qualquer setor ou empresa pode estar em risco de desaparecer se não inova constantemente. Por isso, agora o foco de qualquer empresa é lutar para ser o primeiro em inovação. Os CEO ou altos executivos do futuro terão que ser inovadores, ou permeáveis à inovação que emane de suas equipes e de seus clientes. Mas, de onde vêm as inovações? Da investigação científica ou da criatividade somada a uma visão comercial-empresarial que gere novas idéias, produtos ou serviços desejados pelos cidadãos.

Por isso as escolas de negócio e programas de pós-graduação estão apostando por estas três vertentes: investigação (no caso das que têm um enfoque mais tecnológico como o MIT), criatividade (no caso das que estão focadas no management) e espírito comercial.

O que isso tem a ver com a diversidade?
Tudo. Como disse Richard Florida em seu livro “The rise of the creative class” (“A ascensão da classe criativa”), o que mais gera criatividade é a presença de gente criativa, que compete e colabora ao mesmo tempo. E isso acontece onde há mais diversidade. É difícil que a criatividade surja em um ambiente onde todas as pessoas têm a mesma raça, a mesma cultura de base, a mesma orientação sexual ou o mesmo sexo (os homens seguem sendo uma maioria esmagadora nas escolas de negócio, por exemplo).

Ser um “hub” de diversidade se transformou na chave do sucesso das melhores escolas de negócio e dos alunos que se beneficiaram estudando nelas. A quantidade de mulheres presentes no campus pode ser um dos indicadores de uma escola que busca a diversidade. Outro grande indicador é o número de nacionalidades. Esses aspectos são tão importantes que ganharam um peso destacado nos rankings das escolas de negócio e universidades mais prestigiosas (Finantial Times, Forbes, Bloomberg, América Economia, etc).

O grande desafio de qualquer universidade ou instituição de pós-graduação é replicar os “hubs aéreos”. O indicador da importância e influência de um aeroporto é o número de destinos aos que conecta diretamente. E quanto mais conexões, mais rápido cresce sua importância, já que umas conexões alimentam outras. Claro que o complicado é decolar e dar os primeiros passos.

As universidades que queiram ser referência mundial devem ter em conta a diversidade ou não conseguirão seu objetivo. Neste caso, o desafio para as entidades latino-americanas é enorme em comparação com as europeias que, neste campo, superam as norte-americanas (exceto as de elite). 91% dos estudantes do Global MBA da London Business School não são britânico, 92% dos estudantes do IE Business School de Madri não são espanhóis, enquanto que em Columbia ou Warhton, segundo o ranking do Finantial Times, há uma maioria de americanos.

O mais caro neste processo é dar os primeiros passos para conseguir essa diversidade. O interessante é que, pouco a pouco, as mais importantes universidades brasileiras estão avançando neste quesito, embora deveriam sair mais ao exterior, especialmente fora do continente americano. Muitos centros de pós-graduação chineses, por exemplo, já têm a metade de alunos estrangeiros.

O acordo do grupo Coimbra de Universidades Brasileiras com a OEA (Organização dos Estados Americanos) levará seus cursos, segundo me comentaram na semana passada na sede do organismo em Washington, a mais de 400 estudantes de 20 nacionalidades do resto da América Latina, o que significa um passo importante para a consolidação do pólo educativo regional. Uma iniciativa que deve servir como impulso no caminho que leva a diversidade e a criatividade. A inovação e a criatividade serão o “driver” diferencial do sucesso nos próximos anos, especialmente nas carreiras profissionais dos estudantes de pós-graduação.

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