Igor Galo,
O Globo 18/09/2015

Como também acontece noutros mercados, o da formação, e concretamente o das pós-graduações
(Mestrados, MBA…), está a mudar de forma acelerada, tanto pela globalização como pelas novas tecnologias. O número de estudantes que saem do seu país para alargar os conhecimentos cresce a cada ano, a oferta de programas que se repartem em vários continentes aumenta e, ao mesmo tempo, o leque de mestrados online não pára de aumentar. A oferta é cada vez mais ampla e, portanto, a selecção para os alunos e profissionais é mais difícil.

Ou não. Porque a tendência parece recair sobre programas internacionais que se repartem em vários países ou continentes diferentes e que incluam módulos online.

Por um lado, qualquer executivo de nível médio ou superior vai precisar, na realidade já precisa, de habilidades digitais muito desenvolvidas. E isso não significa pesquisar no Google e fazer powerpoints. Implica estar habituado a trabalhar remotamente, muitas vezes com equipas de outros países, saber distinguir as fontes de informação robustas das não fiáveis, etc. Os executivos tecnológicos estão a ocupar cargos cada vez mais importantes em indústrias tradicionais, como bancos ou empresas de consumo massivo e não porque saibam programar ou entendam de hardware.

Antigos executivos do Google estão a começar a ocupar cargos de destaque em empresas de luxo francesas ou em bancos internacionais, como o espanhol BBVA. E isto deve-se ao facto de estes executivos, cuja “bagagem” é tecnológica, entenderem o novo ecossistema virtual na perfeição. Por este motivo, estudar online não será apenas um canal adequado para quem não queira ou possa deslocar-se fisicamente, senão um objectivo em si mesmo que servirá para desenvolver uma mentalidade totalmente digital, especialmente para aqueles que não são nativos digitais.

A própria OCDE começou a incluir no famoso relatório PISA, onde analisa os resultados dos sistemas educativos dos principais países do mundo, uma nova tabela para medir as “habilidades digitais dos alunos”, que analisam a capacidade destes para o uso de programas de software, escolha de fontes na rede, uso de tabelas e gestão do acesso a fontes. Ou seja, como procurar informação fiável e de forma correcta na Internet, algo que não é tão fácil nem óbvio como pode parecer. Portanto, estudar online não será já uma forma de “não se deslocar” mas algo muito mais sério. Não é em vão que os principais “rankings” de MBA já têm a sua própria lista de melhores pós-graduações online como a Forbes (http://www.forbes.com/fdc/welcome_mjx.shtml) ou o Financial Times (http://rankings.ft.com/businessschoolrankings/online-mba-ranking-2014). E os especialistas costumam coincidir, sempre que falemos de pós-graduações lecionadas por instituições sérias.

Por outro lado, ao deixar de lado o campus físico pelo campus virtual, torna possível que, paradoxalmente, os estudantes possam visitar vários campus durante a pós-graduação. Desta forma, vão surgindo pós-graduações que combinam períodos online com períodos presenciais em universidades em vários continentes diferentes. O não ter que alugar um apartamento nem pedir um visto para viver um ou dois anos fora, com o custo de tempo que isso representa, torna possível que os estudantes viajem várias vezes durante a pós-graduação para diferentes países para completar a sua formação mediante aulas presenciais, visitas a empresas ou a especialistas da sua área, ou assistindo a eventos como conferências.

Este formato, que muitos já terão identificado, assemelha-se mais à dinâmica diária de um executivo no seu escritório do que à do estudante do século XX que passa um ano na mesma sala de aula.

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