Mais brasileiros fazem empréstimos para estudar no exterior

Conseguir um empréstimo para fazer o MBA numa das melhores escolas de negócios do mundo pode ser uma operação muito mais simples do que se imagina. Pesquisa realizada com 262 estudantes brasileiros, de renomadas escolas de negócios dos EUA e Europa, mostrou que 39% deles financiaram seu estudo emprestando dinheiro de bancos estrangeiros ou através de programas de crédito pré-aprovado das universidades. Destes, 47% conseguiram dinheiro suficiente para pagar 100% do curso- o preço total em uma escola de primeira linha varia entre US$ 70 e US$ 100 mil.
O motivo dos executivos brasileiros estarem optando por endividar-se para fazer o MBA no exterior pode estar relacionado ao fato das empresas patrocinarem cada vez menos esse tipo de curso, que se tornou bastante popular nos anos 90. A pesquisa conduzida pelo grupo MBA Alumni Brasil, cedida ao Valor, mostrou que apenas 29% dos entrevistados contaram com algum apoio financeiro das empresas onde trabalhavam para estudar.
O dinheiro não deve ser um empecilho para o estudante brasileiro, diz Paul Danos, reitor da escola de negócios americana Tuck, uma das dez melhores do mundo, segundo ranking do jornal britânico Financial Times. Os estrangeiros não tém o hábito de usar empréstimos, como fazem os americanos, mas deveriam ter. Em 2005, 33% dos empréstimos intermediados pela escola com instituições financeiras foram destinados a alunos de outros países. No ano passado, Tuck distribuiu US$ 13 milhões, entre empréstimos (federais e institucionais) e bolsas de estudo. Em média, cada estudante pode emprestar, com o aval da escola, até US$ 56 mil. Este ano, 80% dos alunos aprovados na sua prova de seleção entraram com pedidos de ajuda financeira.
Hoje as principais escolas de negócios do mundo como Harvard, Wharton, Columbia, London Business School, entre outras, possuem acordos com instituições financeiras privadas ou estatais para oferecer esse tipo de empréstimo para alunos aprovados em seus concorridos exames de admissão. Cada uma tem sua própria política, explica Elatia Abate, da Fundação Estudar, que oferece bolsas de estudo na área de administração para brasileiros. A vantagem de se conseguir um empréstimo através das universidades- além de um prazo de 15 a 20 anos para pagar e uma taxa de juros baixa, em torno de 6% ao ano-, é que nesses programas não é necessário apresentar um avalista do país onde se quer estudar.

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