Este artigo representa a minha opinião pessoal
Meu nome é Newton Campos. Tenho 32 anos, sou carioca, contador pela PUC-SP. Estudei no Instituto de Tecnologia ORT no período de high school e fiz meu mestrado em Business (MBA) full time no IE Business School e no IIM Indian Institute of Management (em intercâmbio pelo IE). Hoje estou no terceiro ano de doutorado pela FGV-SP e cuido das atividades do IE no Brasil. O IE possui mais de 20 escritórios locais de representação pelo mundo, dirigidos por ex-alunos originários de cada país. Os escritórios do IE pelo mundo servem de embaixadas para ex-alunos, empresas e candidatos. Meu objetivo com este post é colaborar com uma reflexão sobre o papel dos “preparadores de MBA” na burocracia institucionalizada que existe no processo de admissão das principais Escolas de Negócios internacionais.
Sempre trabalhei com tecnologia e marketing, chegando à área de “Marketing internacional para países emergentes” (se é que esta área existe) após meu MBA no IE. Um dos motivos que me levou a esta área foi minha paixão por viajar e descobrir novas culturas, novos mind sets e novas realidades. Nos últimos 10 anos visitei mais de 35 países e vivi em 4. Enfim, depois de 4 anos fora do Brasil, acabei retornando por convite feito pelo próprio IE, que tinha interesse em abrir um escritório de representação no Brasil há alguns anos. Minha volta ao Brasil ocorreu em 2003, de forma que já levo mais de 5 anos exercendo este trabalho interessantíssimo. Faço parte, com prazer, da gestão de uma Escola jovem, vencedora, inovadora e diferente, num mercado dominado por escolas tradicionais com mais de 100 anos de idade. O IE é hoje umas das 10 principais escolas de negócios do mundo mas desde 1990 já vinha ocupando o lugar de “top 25” business school mundial.
Tenho acompanhado este mercado de perto há mais de cinco anos, participando de eventos de diversas escolas, feiras nacionais e internacionais de MBA, além de encontros com profissionais dos departamentos de admissões de diversas escolas. Além disso, tenho acesso a alguns dados confidenciais, que são gerados pelas próprias escolas em reuniões que as mesmas fazem com certa frequência. O público em geral não sabe, mas as 10 mais importantes escolas da Europa se reúnem periodicamente para trocar experiências, best-practices, resultados de pesquisa acadêmica e números em geral.
Novamente, o que me motivou a escrever este post foi o crescente interesse dos brasileiros por escolas de negócios internacionais e o grau de importância que os “preparadores de MBA”, “MBA Advisors”, “professores de GMAT” e outros profissionais deste tipo têm ganho no Brasil, principalmente em São Paulo. O título de MBA tem se popularizado e as vagas nas grande escolas de negócios internacionais aumentando. Já são várias as escolas que formam mais de mil alunos de MBA full-time por ano.
Enfim, o que quero colocar em reflexão aqui é o motivo, o porquê do brasileiro precisar de um apoio na preparação para fazer um top MBA internacional. Curiosamente o Brasil é um dos únicos países do mundo onde esta profissão cresce com força (na Índia esta profissão também existe em menor escala) e eu tenho minha própria opinião sobre os motivos que originaram a demanda destes serviços.
Em geral, eu tento estimular que as pessoas não contratem a custosa ajuda dos “preparadores de MBA” (MBA advisors) para apoio no processo de admissão pois este serviço distorce a percepção das Escolas sobre o candidato. Atualmente, o serviço tem custado de 4 a 12 mil reais, dependendo do “pacote” (GMAT+TOEFL, somente GMAT, Apllication+TOELF, etc). Que me desculpem os preparadores (conheço quase todos no Brasil e inclusive alguns da Índia) mas acho que sua “especialização” em lidar com diferentes “application forms” e “admission processes” faz com que as pessoas pareçam ser o que elas não são.
Não condeno o útil e válido serviço destes profissionais em ajudar as pessoas com informações sobre as Escolas e suas características mas acho que o apoio no preenchimento do application pode até mesmo ser classificado de anti-ético e têm Escolas que já estão se preparando para lidar com candidatos que passaram pelos “preparadores”, tanto na reconsideração do “application” como na própria nota do GMAT.
Até onde o serviço destes profissionais pode ser útil ou recomendado? Prefiro passar a pergunta para o leitor deste post, mas sugiro que as pessoas tentem utilizam o serviço destes profissionais mais para análise das melhores opções de pós-graduação no exterior (tanto em termos de tipo de programa como em termos de destino) do que como um apoio forçado para maquiar debilidades formacionais e profissionais do candidato.

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