O método pedagógico do caso (“case method”) tem sido cada vez mais utilizado por universidades e cursos de pós-graduação brasileiros. Muitas pessoas já tiveram a oportunidade de trabalhar com casos reais escritos em grandes escolas de negócios. A Escola de Negócios que mais escreve casos no mundo é a Harvard Business School. Estes casos são comprados por escolas do mundo inteiro, sempre com o intuito de promover a discussão em torno dos problemas levantados no caso, de forma que a turma aprenda com aquela experiência real.
Entretanto, como ex-aluno de MBA de uma destas “grandes escolas internacionais”, tenho visto que o uso do “método do caso” no Brasil tem sido mal feito (para “variar”, pegamos idéias lá de fora e damos um “jeitinho” para usar aqui).
Mas devemos entender primeiramente para que serve um caso. O caso não serve somente para promover a discussão sobre um problema real que ocorreu com uma empresa numa determinada época. Os casos servem para moldar uma maneira prática e lógica de resolver problemas do cotidiano. No fundo, a metodologia e a grande exposição aos problemas dos casos – no IE são mais de 500 casos analisados ao longo do ano nos cursos – fazem com que nossa mente se acostume a pensar de uma maneira diferente na solução de problemas empresariais. Quem vai pra lá com a mente mais aberta pode até mesmo utilizar a metodologia do caso depois para solucionar problemas pessoais.
Numa escola como o IE e outras “Top Business Schools” mundiais você primeiro aprende a como se deve trabalhar com a metodologia do caso. A primeira semana do curso é quase um “mini-curso” de como funciona a metodologia. Que informações posso pegar de fora do caso? Posso procurar alguém da empresa pra saber o que aconteceu na vida real? Posso deduzir que algumas coisas sejam verdade, mesmo sem ter certeza? Tudo isso é discutido nos primeiros dias de aula.
O uso de 5, 10 ou até 20 casos numa determinada matéria de faculdade ou pós-graduação não gera o aprendizado esperado daquela experiência. É necessário resolver CENTENAS de casos reais para se aprender com o método, pois o método realmente ensina, com o tempo, um comportamento de solução de problemas e tomadas de decisões reais.
Também se faz EXTREMAMENTE importante que a dinâmica da solução do caso seja respeitada. Um caso SEMPRE deve ser resolvido em três etapas: preparação individual, discussão e consenso em grupo e discussão em sala de aula. No Brasil, em geral, o professor passa o caso para os alunos, eles se preparam individualmente e depois discutem as possíveis soluções em sala de aula. Ora, se é justamente no segundo passo (discussão em grupo) onde mais se aprende! Porque pular esta fase?
Concluo afirmando que sim existe uma série de motivos pelos quais os cursos de excelência no exterior são caros e respeitados e um dos motivos é o uso correto e responsável do “case method” (método do caso).

One thought on “O tal método do caso (case method)

  1. Francisco Sallit

    GOstaria de receber alguns artigos onde se aplicou o método de Casos. Se possível vários casos.
    Obrigado
    Francisco Sallit

Deja un comentario

Your email address will not be published. Required fields are marked *

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

*

clear formSubmit