Post escrito por Igor Galo en O Globo

24 de julio de 2014

Quando se fala de cursos de pós-graduação, todo mundo costuma pensar em estudos para jovens profissionais de 25 a 40 anos de idade que, depois de alguns anos de experiência profissional, querem acabar de formar-se ou especializar-se para impulsionar sua carreira profissional.

Trata-se, sem dúvida, de um mercado crescente, dado que num mundo tão competitivo como o atual já não é suficiente ter uma graduação universitária. O ciclo de transformação constante no qual o mundo está imerso (transformação tecnológica, mudanças ambientais…) faz com que o que se estudou com 20 anos possivelmente já não seja o que se necessita 12 ou 14 anos mais tarde, quando o profissional começa a chegar, com 32 ou 34 anos de idade, a cargos de relevância nas corporações.

Entretanto, esta ideia de pós-graduação que todos temos em nossa mente vai começar a mudar com a chegada de um novo tipo de pós-graduados. Os golden postgraduate ou pós-graduados seniores, ou seja, os inscritos em cursos de pós-graduação, em formato master full time, cursos intensivos ou executive part time, orientados aos mais experientes, os maiores de 50 anos.

Esta é a grande mudança que vem ganhando espaço. Embora mais que uma mudança, será uma ampliação do mercado dos cursos de pós-graduação para um novo porém crescente segmento de estudantes, o segmento sênior, profissionais com mais de 50 anos de idade que querem, ou precisam, estar atualizados. Há muitos indícios que apontam para este crescente segmento de mercado.

Por um lado, a esperança de vida. Os profissionais com mais de 50 anos, com uma saúde cada vez melhor, mais experiência internacional, e também com capital economizado em suas contas correntes, vão voltar às salas-de-aula.

Alguns assim farão porque querem continuar estando informados sobre o que se refere a seus negócios, porque são donos de suas empresas e querem administrá-las de forma eficaz num mundo cambiante. Outros farão porque a aposentadoria com 60 ou 65 anos, que durante décadas foi um direito no mundo desenvolvido, atrasa-se até 67 ou 68 anos de idade. E para aguentar essa reta final da carreira profissional precisam atualizar-se se não quiserem ser relegados a uma posição abaixo dos jovens diretores.

Mas às razões pessoais se unem outras sociais em decorrência da demografia. A queda da taxa de natalidade em todo mundo está sendo muito rápida. O Japão e a Europa terão em breve mais pessoas acima dos 65 anos que abaixo dos 18. Os Estados Unidos vão por esse caminho, embora a um ritmo mais lento, e a América Latina, incluído o Brasil, envelhecem rapidamente, embora as consequências podem demorar 20 ou 30 anos para chegarem. Em 2050, 42% dos brasileiros terão mais de 50 anos, em comparação com o total atual de 19%.

Neste novo panorama demográfico os profissionais seniores serão um ativo do qual nenhuma sociedade poderá prescindir. Porque sua experiência será muito valiosa, desde que se atualizem mediante os novos cursos de pós-graduação para seniores ou golden postgraduate.

Em breve, não será tão estranho ver um profissional com seus “50” ir de mãos dadas com seus filhos com seus “20 anos” à universidade, ambos estudando juntos uma pós-graduação.

 

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